Entre livros, bagunças e poeira.

Prateleiras abarrotadas de livros, uma pessoa sempre disposta a atender e um toque sutil de bagunça que transmite a sensação de conforto.

 POR CAMILA BICHUETTI E YUMI MIYAKE 

Existe uma diferença entre um livreiro e um vendedor de livros. O livreiro é aquele que sabe dar indicações e aconselha o cliente na hora da compra. Já o vendedor de livros não tem conhecimento acerca do assunto e só vende o que é pedido. “Para se trabalhar em um sebo é preciso saber do que se trata, passando assim confiança ao cliente, que se sente satisfeito com o preço pago pelo livro que ele tanto desejava.” Assim afirma Vera Brandão, uma das proprietárias do Sebo Brandão, no centro de São Paulo, há 55 anos em funcionamento. O sebo contém quatro andares, imperceptíveis para quem passa apressado pelas ruas movimentadas do centro da cidade. 

Duílio de Sousa dono do Sebo Everest, nas proximidades da Universidade Presbiteriana Mackenzie, conta que os sebos são importantes pois eles conservam livros, obras e edições que não são mais publicadas, na sociedade moderna. O preço dos livros não varia de acordo com o estado de conservação do mesmo, mas sim com a sua raridade, e a importância dos autores. “Eu mesmo tenho na loja um livro muito antigo e nem por isso ele é o mais barato, pelo contrário.” De acordo com ele, um livro nunca é caro, se levarmos em conta a sabedoria e o conhecimento que ele traz consigo.

 Apesar da aparente bagunça, os sebos são divididos por área, setor e autor. Isso facilita o trabalho do vendedor na hora de achar um livro. 

As pessoas contam com inúmeras facilidades na hora de comprar um livro devido as tecnologias como a internet, que ajuda na procura e venda. Um exemplo são os sebos virtuais, como o site “estante virtual” Isto acaba constituindo uma forma de concorrência para os sebos tradicionais. Porém a internet é um instrumento que pode ser utilizada também pelos proprietários de sebos na catalogação do material. Questionada sobre a influência das tecnologias, Vera Brandão responde dizendo que “o livro nunca irá morrer” e completa sua frase ressaltando a importância cultural dos livros na hora de se pesquisar a fundo algum tema. A dona do Sebo paulistano, Rosemeire Bezerra, localizado no coração de São Paulo, conta que apesar dessas facilidades ela não abre mão de expor os livros, pois existem pessoas, como os colecionadores que gostam de ver, tocar e folhear o livro antes de comprá-lo. Quanto ao público alvo, ela explica que os colecionadores eram quem mais freqüentavam os sebos e que atualmente estes são procurados por todo tipo de pessoa: estudantes, crianças, idosos, mestrandos, doutorandos, advogados, juízes,… 

Os livros são adquiridos por vendas ou doações; algumas vezes de bibliotecas particulares e instituições filantrópicas (que ganham muitos livros e vendem para se sustentar). Os livros que chegam em baixo estado de conservação são mandados para restauração e encadernação, mostrando assim a preocupação do livreiro em relação aos clientes e o produto. 

Uma das preocupações de donos de sebos, diz respeito à falta de segurança que esse tipo de estabelecimento acarreta, mas buscam sempre deixar o cliente à vontade. Rosemeire contou alguns casos de pessoas que mudam os livros de lugares e arrancam páginas. Em outro estabelecimento, o Sebovero, na região oeste de São Paulo, o proprietário que não quis se identificar confessa que fecha o estabelecimento, quando tem que acompanhar o cliente ao subsolo, pois tem medo de que as pessoas possam roubar livros. 

De acordo com a edição 2003 do “Guia dos Sebos”, de Jorge Brito, existem 91 sebos na cidade de São Paulo. Entretanto, esse número não pode ser confirmado, visto que muitos sebos abrem, mas por não conseguirem se manter, principalmente devido ao alto custo do aluguel dos estabelecimentos, fecham rapidamente.

Já que no Brasil não temos uma cultura de leitura assídua, é importante destacar o papel do sebo na sociedade, uma vez que este é uma oportunidade para as pessoas que não tem tantas condições financeiras adquirirem um livro. Rosemeire do Sebo Paulistano procura doar alguns livros para quem não tem condições de obtê-los. Ela fala da importância da leitura e os vê como uma forma de incentivo ao conhecimento.

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~ por aconteceonline em outubro 30, 2008.

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