Um ex-esporte brasileiro

Basquete brasileiro vive a pior crise de sua história, mas criação da LNB pode ser o começo da reestruturação do esporte.

POR GUSTAVO FALDON

 

Oscar, Hortência, Magic Paula e Wlamir Marques. Esses são alguns dos nomes que fizeram o basquete se tornar um esporte popular no Brasil, mas parece que títulos mundiais, medalhas olímpicas e anos de determinação não foram suficientes para esse esporte se manter bem estruturado no país.

A atual situação do basquete no Brasil é precária, e há muito tempo é possível definir o basquete em uma palavra: crise. O esporte foi durante muito tempo o segundo na preferência dos brasileiros, atrás apenas do futebol, mas hoje em dia não é mais assim. O ex-jogador Oscar, hoje comentarista e palestrante, quando perguntado sobre isso, respondeu: ‘’O basquete não tem bons resultados, nosso país é torcedor da seleção, se ela não ganha ele torce por outro esporte”. Eduardo Agra, também ex-jogador de basquete, que chegou a jogar no basquete universitário americano e hoje é comentarista no canal ESPN, tem uma opinião diferente: ‘’O basquete brasileiro ainda tem uma estrutura arcaica, as coisas continuam do mesmo jeito de antes, de uma forma amadora. Os outros esportes se modernizaram, com patrocínios, direitos de TV e marketing, o basquete não”.

Analisando as participações das seleções feminina e masculina nas competições internacionais na última década, somente as mulheres não têm dado vexames(ganharam prata em Atlanta-96 e bronze em Sydney-00), já a seleção masculina, não vai a uma olimpíada há 12 anos e a cada torneio pré-olímpico, ou mundial que se disputa, nenhum resultado bom é alcançado. Tomando como exemplo a última participação da seleção no pré-olímpico mundial de basquete, que aconteceu em Julho de 2008, apenas oito dos catorze convocados atenderam ao pedido de tentar levar o país à uma olimpíada novamente. Jogadores importantes que atuam pela NBA, casos de Leandrinho, Anderson Varejão e Nenê, não aceitaram a convocação, assim como Guilherme, que atua na Europa. O caso de Leandrinho foi visto como menosprezo à seleção, pois ele havia alegado que não disputaria o pré-olímpico em razão de uma contusão, e uma semana depois o jogador foi flagrado jogando futebol nos Estados Unidos com seu companheiro de time na NBA, Steve Nash.” O argumento deles não cola pra mim, é muita coincidência, ainda mais quando vemos o Leandro jogando futebol uma semana depois da dispensa”, acusou Oscar.

Mesmo a seleção masculina não tendo participado das últimas três olimpíadas, o presidente da CBB (Confederação Brasileira de Basketball), Gerasime Nicolas Bozikis, ‘’O Grego”, em entrevista ao canal ESPN após a decepção do último pré-olímpico, afirmou: ‘’O basquete brasileiro sempre cresceu e está crescendo”, baseando-se nas conquistas dos jogos Pan-Americanos, e dizendo que a classificação para a olimpíada era apenas um detalhe. Uma opinião que foge completamente da realidade do esporte atualmente. Oscar coloca a CBB como responsável por essa queda do basquete: ‘‘Foram já 4 mundiais em que a melhor posição foi um oitavo e 3 olimpíadas sem participação; a última que fomos , em 1996, eu ainda jogava. Espero que a CBB finalmente autorize os clubes a tomarem conta do campeonato, massifique o basquete com escolinhas nas federações e faça uma escola de técnicos”, sugere o cestinha.

Após três anos de ruptura de relações entre CBB e os clubes brasileiros, finalmente foi feito um acordo entre ambos para a criação de uma liga nacional. A LNB(Liga Nacional de Basquete) será comandada pelos clubes, terá presidência de Kouros Monadjemi, ex-presidente do Minas e amigo pessoal de ‘’Grego”, e tem a chancela de 20 clubes, que para participar terão que abrir uma franquia, igual à NBA. Ainda seguindo o modelo do basquete americano, a Liga contará também com jogo das estrelas e campeonato de enterradas, eventos tradicionais no basquete norte-americano. Para Eduardo Agra, a LNB pode ser uma saída para o nosso basquete, pois é algo que ocorre no mundo todo ‘’A liga tem que ter visibilidade, tem que usar estratégias de marketing para fazê-la crescer, e não pode ser feita de forma amadora, tem que ser profissional”, completa ele.

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~ por aconteceonline em outubro 31, 2008.

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